DIVERSOS – Coisas da Vida…

Quarenta dias no isolamento, diminuição total de tudo que aprendi inclusive andar, apenas a imagem da televisão me dava a certeza de que eu podia enxergar, a companhia frequente de Rosa, minha enfermeira, a visita dos meus familiares mais próximos e Alana me trazendo pela grade da porta do quarto as perguntas: “você está melhor? Você quer alguma coisa? Eu te amo”, diariamente e quase sempre mais de uma vez por dia, me faziam acreditar que eu continuaria a viver.

Mas algo me fazia muita falta, o meu jardim era a única coisa que eu não via, pois até Tyla, Mel e Haribow passaram a dormir na parte externa do quarto que eu estava isolada e eu os via diariamente. No dia que descobri  que segurando pelas paredes eu conseguiria andar, tracei um esquema de fuga, só dependia de Rosa se ausentar e isso aconteceu: trêmula, debilitada, assustada e insegura, galguei as portas e divisei o que há de mais lindo, o meu jardim, que emoção, as folhas trêmulando ao vento, as borboletas buscando o néctar das flores, os pássaros me mostrando o poder da liberdade; parecia um cenário preparado para a minha chegada e eu segurando nas paredes para não cair diante de tanta beleza, quando alguém me viu e avisou fui levada de volta ao isolamento e chorei; era um misto de felicidade, de tristeza, de alegria, uma emoção nunca antes experimentada, chorei tanto que dormi e acordei chorando. São coisas da vida.

Fiquemos atentos

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